As Estatinas podem ser uma nova opção no tratamento da hepatite C
Alguns estudos mostram que os níveis de colesterol podem influir na resposta terapêutica no tratamento da hepatite C. Ainda não se compreende como os triglicéridos interferem no tratamento, mas e sem duvidas um fator que deve ser estudado e levado em consideração.
No congresso DDW um estudo (Abstract M1783 - Statins Improve ALT Values in Chronic Hepatitis C Patients with Abnormal Values) demonstra que pacientes que tomam estatinas apresentam níveis melhores de transaminases, em especial a ALT/TGP. Outros estudos mostram que pacientes com menor nível de transaminases conseguem maior resposta terapêutica. Faço então a pergunta: será que as estatinas se administradas durante o tratamento conseguiram uma maior resposta terapêutica? Com a resposta os pesquisadores!
O estudo, autorizado pelo FDA apresentou resultados iniciais em relação às transaminases em pessoas com problemas hepáticos (é necessário lembrar que as estatinas são somente autorizadas para pessoas com problemas de colesterol e não são recomendadas nem aprovadas para pacientes com problemas hepáticos) mostrando resultados animadores na redução do nível das transaminases.
Participaram 60 pacientes com problemas hepáticos os quais receberam dosagens de estatinas até quatro vezes superior ao recomendado. Somente um apresentou aumento das transaminases, mas foi detectado que abusava das bebidas contendo álcool. Não foram registrados aumentos nas taxas de bilirrubina. A estatina utilizada no estudo de 14 dias foi a fluvastatina.
Em outro estudo apresentado durante o congresso (Abstract M1845 - Retrospective Analysis of the Effect of Taking a Statin Along with Peginterferon and Ribavirin (PI+R) on SVR) os pesquisadores analisaram retrospectivamente um grupo de 104 pacientes tratados para hepatite C, entre os quais durante o tratamento 30 deles se encontravam tomando estatinas devido a problemas com os níveis de colesterol. Dos 30 pacientes tomando estatinas, 25 utilizavam sinvastatina, 2 lovastatina, 2 atorvastatina e 1 fluvastatina.
Comparando os dois grupos foi encontrado que os pacientes tratados com interferon peguilado e ribavirina conseguiram a resposta sustentada em 37% dos tratados (devemos considerar que é um percentual de resposta adequada já que se tratava de pacientes veteranos de guerra dos Estados Unidos, um grupo que em geral apresenta baixa resposta ao tratamento por se tratar de uma população com alta incidência de uso de drogas e abuso de álcool). Já no grupo de 30 pacientes que se encontrava tomando as estatinas durante o tratamento com interferon peguilado e ribavirina a resposta sustentada foi conseguida em 63% dos tratados.
Concluem os pesquisadores que o uso das estatinas deveriam ser retrospectivamente estudadas por médicos e pesquisadores que tratam da hepatite C para tentar validar os resultados encontrados.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Abstract M1783 - Statins Improve ALT Values in Chronic Hepatitis C Patients with Abnormal Values e, Abstract M1845 - Retrospective Analysis of the Effect of Taking a Statin Along with Peginterferon and Ribavirin (PI+R) on SVR - DDW-2007.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
Medicamento para colesterol poderá vir a combater o vírus da hepatite C
Um novo estudo mostra que as estatinas, geralmente usadas como remédios contra o colesterol, podem inibir a replicação do vírus da hepatite C. A descoberta está publicada na edição deste mês da revista Hepatology.
Baseando-se em pesquisas recentes de que uma das estatinas, a lovastatina, inibe a replicação do HCV, pesquisadores liderados por Masanori Ikeda, da Universidade Okayama, no Japão, testaram "in vitro" outras estatinas na busca de uma terapia contra o vírus.
Usando uma cultura de células, os pesquisadores avaliaram a atividade de cinco estatinas contra o HCV: atorvastatina, fluvastatina, lovastatina, pravastatina e simvastatina. Testadas individulmente, todas as estatinas, exceto a pravastatina, prejudicaram a replicação do vírus. O efeito mais potente foi obtido com a fluvastatina. Os pesquisadores determinaram ainda que a atividade das estatinas contra o vírus não era tóxica para a célula infectada.
Para avaliar as estatinas como possíveis substitutas da ribavirina na terapia combinada com interferon, os pesquisadores combinaram cada uma delas com o medicamento. Todas as combinações, exceto a que continha pravastatina, tiveram um efeito inibitório ainda maior que a estatina sozinha.
Fonte:
Different Anti-HCV Profiles of Statins and Their Potential for Combination Therapy with Interferon - Masanori Ikeda, Ken-ichi Abe, Masashi Yamada, Hiromichi Dansako, Kazuhito Naka, Nobuyuki Kato, Department of Molecular Biology, Okayama University Graduate School of Medicine, Dentistry, and Pharmaceutical Sciences, Okayama, Japan. Hepatology 2006;44:117-125 - July 2006.
Estatinas: Um novo tratamento para a hepatite C?
Por: Liz Highleyman
A publicação de um estudo que mostra que as estatinas inibem a multiplicação do vírus da hepatite C (HCV) em ensaios de laboratório suscitou um grande entusiasmo entre as pessoas HCV positivas e seus médicos. O que são as estatinas? Representam realmente uma nova esperança para as pessoas com o HCV?
O que são as estatinas?
As estatinas, conhecidas também como inibidores da reductasa da coenzima A 3-hidroxi-3-metilglutaril (CoA-HMG) são utilizadas para o tratamento da hipercolesteremia (colesterol elevado). O colesterol transportado pelas lipoproteínas de baixa densidade (LDL) contribui a arterioscleroses (endurecimento das artérias), e a elevação do colesterol LDL está associada a um maior risco de sofrer doenças cardiovasculares.
Existe outro tipo de colesterol, o transportado pelas lipoproteínas de alta densidade (HDL), que exerce um efeito protetor porque leva as gorduras para eliminá-las do organismo. As estatinas funcionam inibindo uma enzima necessária para a produção de colesterol no fígado. Além de reduzir o colesterol LDL, estes medicamentos diminuem em parte os triglicérides e elevam o colesterol HDL. Os medicamentos com estatinas atualmente comercializados são:
- atorvastatina
- fluvastatina
- lovastatina
- pravastatina
- simvastatina
Com a crescente incidência da obesidade e os transtornos metabólicos derivados da mesma (tanto nas pessoas com o HCV como na população em geral) as estatinas se converteram em um dos medicamentos mais receitados na atualidade.
As estatinas e o HCV
Na edição de julho de 2006 da revista Hepatology, M. Ikeda e uma equipe de médicos publicaram um estudo onde se mostra que determinadas estatinas foram ativas contra o HCV em citocultivos do HCV no laboratório (In Vitro). Dado que é difícil conservar o HCV in vitro, os autores criaram um sistema de multiplicação do ARN do HCV, ou "replicón," para avaliar a atividade destes fármacos contra o HCV.
Os pesquisadores acharam que a fluvastatina foi a que mostrou uma atividade mais pronunciada contra o HCV. A atorvastatina e a simvastatina exerceram uma atividade intermédia, enquanto que a lovastatina demonstrou uma fraca atividade contra o vírus. Uma das estatinas, a pravastatina, não mostrou nenhuma atividade contra o HCV in vitro.
Além disso, os autores observaram que, quando se administravam as estatinas junto com interferon alfa, todas elas salvo a pravastatina exerciam um efeito inibidor do HCV ainda mais pronunciado.
No caso da fluvastatina, o efeito pareceu sinérgico, o que significa que o efeito mistura de ambos os medicamentos é mais forte que a soma dos dois fármacos por separado.
Os investigadores concluíram que as estatinas "possivelmente poderiam ser úteis como novos reagentes contra o HCV em politerapia com interferon". Assinalaram que a combinação de fluvastatina mais interferon pareceu mais ativa contra o HCV que o tratamento padrão atual de interferon peguilado mais ribavirina.
Como as estainas inibem o HCV?
Não se compreende bem o mecanismo pelo que as estatinas conseguem inibir o HCV. Posto que todas as estatinas atuam como inibidoras da reductasa da CoA-HMG, o fato de que algumas delas demonstrassem pouca ou nenhuma atividade contra o HCV sugere que o efeito antiviral se deve a outro mecanismo.
Além disso, as estatinas não destruíram aos hepatócitos anfitriões, o que indica que a atividade antiviral tampouco se produziu por citotoxicidad. Os investigadores sugeriram que "as estatinas têm a capacidade de inibir a multiplicação do ARN do HCV mediante um mecanismo antiviral específico".
Dado que a atividade antiviral das estatinas se anulou quando se acrescentou aos citocultivos mevalonato ou geranilgeraniol (dois compostos que participam da via de biosintesis da reductasa da CoA-HMG), os autores sugeriram que a inibição de sortes proteínas poderia de algum modo interferir na multiplicação do HCV.
Toxicidade das estatinas
Embora as estatinas se receitem com muita freqüência, não estão livres de efeitos secundários e riscos. Um deles é seu potencial de toxicidade hepática (hepatotoxicidade). Embora não se investigou a fundo o efeito das estatinas sobre a população com hepatite C, freqüentemente acontece que os fármacos que provocam hepatotoxicidade o fazem ainda em maior medida entre pacientes com enfermidades hepáticas preexistentes.
Entretanto, um recente estudo revelou que as estatinas não parecem aumentar o risco de hepatotoxicidade entre os pacientes com hepatite C. S. Khorashadi e couves. Avaliaram a incidência de toxicidade hepática em 166 pacientes HCV positivos tratados com estatinas, 332 participantes HCV positivos que não tomaram estatinas e 332 sujeitos HCV negativos que tomaram esses fármacos. Observaram que, entre os pacientes HCV positivos, o uso de estatinas estava associado a elevações bioquímicas do fígado de leves a moderadas mais acusadas que as o grupo que não tomou estatinas o 23% fronte aos 13%, respectivamente, mas também a uma incidência mais baixa de elevações bruscas das enzimas hepáticas o 1% fronte aos 7%.
Entre os pacientes tratados com as estatinas, as elevações leves ou moderadas em quão sujeitos tinham o HCV foram similares às dos sujeitos sem o HCV (o 23% fronte aos 16%, respectivamente). Ambos os grupos mostraram também loteia parecidas e elevações bruscas e de abandono do tratamento por hepatotoxicidade. Os autores concluíram que "[l] a terapia com estatinas não se associou a um risco mais alto de hepatotoxicidade grave em pacientes com hepatite C crônica e pareceu segura".
Para as pessoas co-infectadas com o HIV/HCV, outra preocupação acrescentada é o potencial de interações medicamentosas entre as estatinas e os antirretrovirales, em particular os inibidores e a proteasa, que poderiam alterar as concentrações de fármaco no organismo.
De cara ao futuro
A população HCV positiva a começou a perguntar se ás estatinas poderiam empregar-se como tratamento da hepatite. As investigações sobre esta classe de antivirais se encontram ainda na etapa preclínica, e ainda falta algum tempo para realizar ensaios clínicos com seres humanos que demonstrem se as estatinas são eficazes para esta indicação. Entretanto, nos Estados Unidos, os médicos podem receitar medicamentos à margem das indicações para as quais se aprovaram os medicamentos.
Os últimos dados sugerem que, em um futuro, as estatinas poderiam ser um componente da politerapia para a hepatite C crônica, e que a hepatotoxicidade que causam estes medicamentos em sujeitos com o HCV parece aceitavelmente baixa. Enquanto esperamos os resultados de estudos mais profundos, os pacientes HCV positivos que já estejam tomando estatinas para reduzir o colesterol poderiam estar obtendo outra vantagem adicional e inesperada.
Fonte:
- Ikeda, M. et ao. Different anti-HCV profiles of statins and their potential for combination therapy with interferon. Hepatology 44(1): 117-125. Julho de 2006.
- Khorashadi, S. et ao. Incidence of statin hepatotoxicity in patients with hepatite C. Clinical Gastroenterology & Hepatology 4(7): 902-907. Julho de 2006.
Uma provável boa notícia de novo medicamento na hepatite C
Em janeiro de 2006 divulgamos que uma empresa farmacêutica dos Estados Unidos, a Romark Laboratories, anunciava que estaria iniciando a fase II de um estudo internacional para a utilização do medicamento Alinia (nitazoxanide) no tratamento da hepatite C no Egito.
O Alinia (nitazoxanide) e um medicamento já utilizado para o tratamento de crianças com diarréia causada por Criptosporídio (Cryptosporidium parvum) e Giárdia Lamblia. Criptosporídio e Giárdia são os dois protozoários mais comuns existentes em águas poluídas e são causas comuns de diarréia persistente tanto entre crianças, como entre adultos.
Perante os animadores resultados previos obtidos no estudo realizado no Egito, (os resultados finais serão apresentados no mês de novembro no congresso da AASLD), o FDA dos Estados Unidos aprovou autorização para realizar pesquisas aceleradas (Fast-Track) em um estudo randomizado duplo-cego incluindo 60 pacientes combinando o Alinia com o interferon peguilado Pegasys e ribavirina.
Tal qual o interferon e a ribavirina a Alinia é um medicamento que foi desenvolvido para uma outra doença o qual, dependendo dos resultados poderá vir a ser utilizado no tratamento da hepatite C. Assim também aconteceu com o interferon e a ribavirina. Curiosamente, tanto a Ribavirina como a Alinia (nitazoxanide) foram medicamentos pesquisados para tratar crianças. A ribavirina para tratar infecções respiratórias em crianças e a nitazoxanide para tratar diarréia infantil.
Quanto à segurança da Alinia ela já foi demonstrada tendo tratado no mundo mais de 12 milhões de crianças com diarréia. Quando são pesquisados medicamentos já em uso no mercado, considerados seguros, o andamento das pesquisas são acelerados.
Fonte: www.hepato.com